TÉCNICA DO CIRCUITO MENTAL
Pergunta: Assisti a um vídeo sobre uma técnica do Bashar chamada de “Circuito Mental”, poderia explicar mais sobre o assunto e como aplicar?
Obrigada pela pergunta e por trazer a oportunidade de falarmos sobre algo tão interessante e útil para quem está nesse caminho de auto descoberta e ampliação da consciência.
Para aqueles que não conhecem, Bashar é uma entidade canalizada por Darryl Anka há mais de 40 anos nos EUA que vem trazendo informações absolutamente ótimas sobre o funcionamento da vida e nosso poder de atuar sobre ela.
Acredito que seria interessante começarmos pelas definições: o que são crenças positivas e crenças negativas, quais as diferenças entre elas e quais energias são movidas por seu intermédio.
De acordo com o Bashar, a energia negativa está relacionada à separação das partes ou a compartimentalização e compressão de todas as partes envolvidas, já a energia positiva representa - traz, ancora - a conexão, a criação e a expansão de todas as coisas.
As duas energias existem e são necessárias para o próprio universo existir, se a energia negativa não existisse as coisas não existiriam em separado, mas sim reunidas em uma coisa só.
Melhor dizendo, o fato de haverem opostos nos possibilita uma imensa variedade de experiências e seres na natureza, tornando-nos únicos, assim os opostos proporcionam as experiências e a nossa escolha entre elas.
Agora como isso se conecta com as crenças? Elas são a forma como nós entendemos as coisas, eventos, de uma forma positiva (vendo as conexões entre as pessoas e o todo) e também de uma forma negativa (percebendo a desconexão ou separação) e fazendo nossas escolhas.
As crenças positivas são aquelas que nos inspiram a sermos mais confiantes em nossas atitudes, agindo com mais intensidade naquilo que nos inspira, sonhar e se expressar cada vez mais.
Por outro lado, as crenças negativas nos levam a ter uma visão, uma sensação, de estarmos separados do todo, sem poder, dividido por dentro e contraditório em várias formas.
Conforme o tempo e a intensidade de cada crença em nós, ela vai se aprofundando e se instala em nosso subconsciente como se fosse um programa de computador instalado que passa a executar tarefas à partir de um comando central.
Indo um pouco mais além, por exemplo, se você tiver uma crença de que não é seguro ter dinheiro (talvez por experiências pelas quais passou em sua vida ou de sua família) e você já está com esse “programa instalado” tem uma grande chance de sofrer perdas financeiras sucessivas e sem explicação.
Em outras palavras, aquele “programa” fica rodando em segundo plano e direcionando a sua vida sempre para o mesmo resultado e, desse ponto de vista, não é bom nem ruim, apenas “é”, apenas executa uma tarefa para a qual foi programado.
Em contrapartida, uma crença positiva vai simular uma realidade equivalente, trazendo cada vez mais experiências positivas que nos fazem sentir conectados com o todo e mais livres para sermos nós mesmos.
No caso de uma crença negativa que nos separa do nosso poder, e isso muda o nosso entendimento das coisas, nos fazendo sentir impotentes e incapazes de mudar a nossa realidade.
Esse é o “truque” da crença negativa, por assim dizer, em essência ela cria uma ilusão de que não pode ser mudada, que é permanente e indestrutível, apenas para se perpetuar.
De que modo isso é possível: ela tem um teor de energia negativa dando essa sensação de impotência e separação, diferente da energia - e crença - positivas que nos dão a sensação de conexão e liberdade.
Exatamente por isso, não se trata aqui de bem ou mal, apenas do que é! Cada uma dessas energias - e crenças - são como programas instalados executando as suas rotinas para alcançar resultados.
Olhando dessa forma já vai se tornando mais fácil desfazer a ilusão que foi criada, como se fosse uma espécie de véu, pelas energias e crenças negativas, mudando a nossa percepção e restaurando o nosso próprio poder.
Finalmente chegamos ao paradoxo do poder: perceber que só sentimos essas coisas porque ainda estamos acreditando nessas crenças e, acreditar nessas crenças é uma escolha nossa.
Então a pergunta que fica: Quem está no comando? Quem realmente tem o poder de criação? Quem pode mudar o jogo e o resultado?
Nós temos tanto poder que criamos a nossa realidade e até conseguimos criar uma realidade na qual sentimos que não temos o poder de criar a nossa realidade…
Parece confuso, mas reflita: se todo o poder está em mim e eu só ao mesmo tempo o criador e a experiência, certamente que vivencio apenas aquilo que eu mesmo criei, baseado nas minhas próprias crenças.
Assim, até o ato de acreditar é uma escolha, seja em uma realidade limitante que diz que não temos poder de criar a nossa realidade, seja em uma realidade abundante que diz que somos capazes de criar uma realidade maravilhosa para nós mesmos.
O instinto de evolução e sobrevivência do ser humano faz com que todos nós sempre procuremos o caminho que nos parece mais benéfico e compensador e que não seja aquele que nos parece melhor e nunca escolhemos o pior.
Vale ressaltar que, mesmo quando alguém escolhe uma direção que não é tão boa, ela ainda está escolhendo aquilo que lhe parece melhor e mais apropriado, de acordo com a dimensão e extensão de sua consciência no momento.
O que nos leva adiante: mesmo que alguém esteja criando uma limitação ou carregando uma crença negativa, internamente - ou no seu subconsciente - acredita que essa crença limitante serve de alguma coisa, porque se não servisse para nada já a teria descartado.
Aqui entra o paradoxo do poder com objetivo de libertar a pessoa: mesmo que ela se sinta impotente, ela está escolhendo se sentir assim, porque em algum nível acredita que existe um benefício nessa escolha, do contrário não acreditaria mais nisso.
Chegamos aqui ao exercício prático do Circuito Mental
Você vai fazer o que poderia ser chamado de engenharia reversa das crenças, ou seja, o caminho contrário que o seu cérebro fez quando pela primeira vez escolheu acreditar em uma crença com a certeza de que ela traria algum benefício, serviria para realizar ou alcançar algo importante.
Trata-se de uma sequência de frases que visa te levar ao aprofundamento em suas crenças, necessário para chegar naquele ponto “onde tudo começou” e conseguir fazer a mudança necessária.
As frases são:
Eu acredito que … e acredito em ... porque eu escolho acreditar nisso;
E eu escolho acreditar nisso porque eu acredito que isso me serve;
Para o que me serve acreditar em …?
Mesmo parecendo simples é um exercício poderoso, justamente porque quando você coloca as coisas desta maneira, é você quem está escolhendo acreditar, porque você acredita que isso te serve e para o que isso te serve, volta o poder para você mesmo e mais ninguém.
Efetivamente sai do lugar de vítima das coisas que te acontecem, das emoções e sentimentos que te acometem e de qualquer explicação aleatória que poderia receber, para o seu lugar de poder, dirigindo a sua vida.
O único pré-requisito para você usar essa técnica e ela funcionar é estar cansado, esgotado de se ver como vítima, de saco cheio de se sentir como refém dos acontecimentos no seu entorno que parecem aleatórios.
Importante lembrar que a maior parte de nosso sistema de crenças tem relação com a nossa criação, nossa infância, lugar onde crescemos, os entendimentos que nossos pais tinham sobre a vida e, tudo isso vai se tornando um grande “bolo” de ideias em nossa mente que se juntam às nossas próprias.
Como fazemos o exercício
Pegue um bloco ou caderno e separe um tempo e local tranquilos para as suas anotações e assim, com tempo e trabalho, conseguirá encontrar e reescrever várias crenças que não estão te fazendo bem.
As anotações são importantes porque você vai guardar o caminho que foi percorrendo na sua investigação já que na medida que você vai se aproximando da raíz da crença, vai sentindo mais ansiedade e talvez medo, justamente pelo mecanismo de proteção do programa instalado que vai tentar barrar quem tentar desprogramá-lo.
O exemplo mais comum de trazer aqui, que já trabalhei em atendimentos, é justamente sobre uma questão financeira da cliente que a mantinha em permanente situação desfavorável e angustiante:
“Eu acredito que o dinheiro não é para mim e acredito na falta de prosperidade porque eu escolho acreditar nisso;
E eu escolho acreditar nisso porque isso me serve;
Para o que me serve acreditar que o dinheiro não é para mim?”
A partir desse ponto ela entrou num looping de perguntas e respostas até chegar ao centro da questão, conforme segue (naturalmente é apenas um recorte para se ter uma ideia do funcionamento da técnica):
“Porque se eu tiver mais dinheiro serei mal vista.
Por que?
Porque estarei em uma situação diferente da minha família.
E qual é o problema nisso?
Talvez me sinta embaraçada ou constrangida?
Por que?
Porque eles são muito religiosos e pessoas com dinheiro não são bem vistas.
E o que de pior pode acontecer?
Ser excluída…
E como pode ter certeza disso?
Não posso saber ao certo.
Logo, talvez seja apenas uma impressão errada, certo?
Provavelmente.
Talvez você se sinta à vontade para fazer esse exercício com outra pessoa que poderia ajudar com as sucessivas perguntas até chegar ao fundo da questão, de todo modo vale a pena tentar com uma crença de cada vez.
Espero ter ajudado com a questão, até a próxima!
Agradeço o contato e convido os leitores a enviarem as suas perguntas...
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