TÉCNICA DE MANIFESTAÇÃO
Pergunta: Já assisti a tantos vídeos e li tantos textos sobre manifestação, mas ainda assim não encontrei algo que realmente eu faça e alcance o resultado desejado; tem alguma técnica comprovada para conseguir transformar a minha realidade de verdade?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares… eu também, ao longo de minha vida, li inúmeros livros e assisti a uma infinidade de vídeos sobre manifestação e encontrei algumas técnicas que realmente manifestam a realidade desejada.
Ainda antes de descrever a minha técnica favorita, gostaria de trazer a compreensão que aprendi com o Bashar, entidade canalizada por Darryl Anka há mais de 40 anos, quando ele ensina que na verdade todas as técnicas tratam-se, na verdade, de permissões.
A ideia principal aqui é que na verdade, todos nós somos co-criadores de nossa realidade, já que o universo é um grande holograma, no entanto o nosso nível de consciência tem limitações derivadas de nossas crenças equivocadas e, quando encontramos uma técnica que ressoa conosco, ela atua como uma ferramenta de permissão que no ‘deixa’ atravessar a crença e alcançar uma nova realidade ou realização pessoal.
Agora voltando à nossa técnica: aprendi com Neville Goddard - escritor, palestrante e mentalista que viveu nos anos 60 - que, por sua vez, aprendeu com o Yogue Abdullah que foi seu preceptor durante muitos anos e abriu para ele uma janela para uma nova realidade.
Trata-se da Técnica das Duas Cadeiras
Essa prática é capaz de fazer você se desprender da sua antiga identidade e levar a sua mente para onde o seu desejo já existe, já aconteceu. Algo tão surpreendente que quando você concluir e transformar a sua realidade, vai ficar se perguntando porque eu não aprendi isso antes.
Abdullah era um mestre conhecedor profundo das Escrituras Sagradas e da Cabala Hebraica. Levava uma vida confortável em Nova York e, ao contrário de muitos espiritualistas, não era um asceta reservado e distante, mas sim alguém que gostava de ouvir boa música, ir ao teatro, comer bem e vestir-se com elegância.
A própria postura que ele mantinha com tranquilidade e presença foi o primeiro aprendizado de Neville, demonstrando que o mundo reage ao que o indivíduo assume ser e não ao julgamento que fazem dele. Em sua casa, Abdullah não discutia religião como dogma, ao contrário, dissertava sobre o assunto como linguagem simbólica da consciência, fazendo enxergar o mundo como o que realmente é: um espelho, dos estados internos das pessoas que o habitam.
Ele ensinava as lições com foco e firmeza, necessários para o perfeito desempenho daquele aprendizado, não com rituais sagrados inacessíveis, mas com prática diária e insistente, criando alunos despertos e auto suficientes.
Seu objetivo era que o aluno dominasse o conhecimento e não necessitasse mais do mestre, e a técnica das duas cadeiras nasce dentro dessa lógica, um caminho de amadurecimento, que começou exatamente na noite em que Neville, um jovem um tanto perdido, sem trabalho fixo tentando ganhar a vida como podia, resolveu bater à porta de Abdullah que morava no mesmo prédio, sem perceber que estava encontrando a chave para a própria consciência.
Na verdade Neville não estava realmente procurando por Abdullah, mas sim, estava em suas próprias buscas espirituais através de estudos e leituras e ainda estava bastante perdido até que um padre que era seu amigo, disse que ele precisava conhecer uma pessoa, um mestre que lia a Bíblia de uma maneira extraordinária e diferente.
Neville adiou por muito tempo a sua visita acreditando que seria apenas mais uma conversa filosófica; até que numa noite de modo inesperado, ele decidiu bater na porta do apartamento de Abdullah que o recebeu sem qualquer cumprimento formal e apenas disse: “Neville, você está seis meses atrasado”, deixando-o completamente boquiaberto.
Entrando no apartamento não notou nada espantoso ou místico, mas sim livros por toda parte, um ambiente de intenso estudo e alguém que falava com naturalidade sobre os temas mais incríveis e Abdullah começou a confrontá-lo com a ideia de que tudo o que Neville estava vivendo era um reflexo de seus estados internos, ainda que acreditasse ser destino ou azar.
O fundo de todo aquele ensinamento era que não importa o que você tenha lido ou aprendido, enquanto continuar assumindo o mesmo estado interno, repetirá a mesma vida. Embora pareça simpática, essa teoria o levou para uma exigência prática: se queria uma nova realidade precisava se colocar em outro ponto de vista interno.
Neville continuou seus estudos diariamente com Abdullah por bastante tempo, ouvindo suas orientações e recebendo correções firmes. A cada novo encontro intensificava o seu treino de deslocamento da realidade. Se Neville reclamava da sua situação financeira, imediatamente era repreendido e levado à compreensão: “Você não é isso!”, até que em algum tempo sua compreensão saiu do intelectual para a experiência viva.
Nesse momento do aprendizado, Abdullah precisava aprofundar o nível de informação como uma continuidade natural de seus ensinamentos, com um exercício prático, trazendo o aprendizado intelectual para a matéria, o sentir no corpo, o que realmente significa transitar entre um estado e outro.
E o exercício não poderia ser mais simples: duas cadeiras e um segredo - uma cadeira na sala e outra no corredor (ou no quarto) e treinar o deslocamento da consciência. A genialidade está justamente na simplicidade, sem velas, símbolos secretos ou palavras mágicas, apenas o deslocamento da consciência.
Vamos ao exercício
Escolha dois lugares em sua casa e coloque uma cadeira em cada um, de tal forma que ao sentar-se na primeira delas, não seja capaz de enxergar a outra. Sente-se na primeira cadeira - na sala, por exemplo - e sinta profundamente onde você está, a textura do assento, os sons do ambiente, a temperatura e o peso do próprio corpo, identifique assim claramente a primeira cadeira.
Depois de alguns minutos (quando se sentir confortável) sem sair do lugar ou abrir os olhos, se desloque internamente para a segunda cadeira, imagine-se sentado nela identificando todos os objetos ao redor e cada detalhe daquele outro ambiente, perceba não é em um momento no futuro, é imediato, nesse momento, você desloca a sua consciência para o outro ambiente onde está a segunda cadeira.
A temperatura muda, a sensação física e espacial muda, os sons e objetos também. Persista nessa posição até que a segunda fique tão vívida quanto a primeira. Após alguns instantes, volte a sua consciência para a primeira cadeira - onde você está sentado - e sinta todos os detalhes do ambiente já conhecido em todos os detalhes físicos e sensoriais daquele lugar.
Ao alternar sucessivamente entre as duas posições - que são internas, na verdade - ficará cada vez mais patente que você não é o seu corpo, você é a sua consciência que habita um corpo e a sua percepção interna que escolhe onde deslocar e posicionar essa consciência.
A cada nova rodada de treino, esse deslocamento se tornava mais natural e fácil, como quem aprendeu a dirigir um carro e, num belo dia, nem percebe como chegou até seu destino porque simplesmente já está dirigindo “no automático”.
O importante aqui é deslocar a consciência de um momento presente, no qual eventualmente você pode estar dentro de uma situação difícil ou complicada, para um momento em que tudo já está resolvido da melhor e mais eficiente forma possível, e, principalmente, sem a interferência do cérebro tentando “resolver” aquela situação; aqui não importa o caminho que vai seguir a solução do problema, apenas importa que você se desloca para essa realidade na qual o problema ou situação já está resolvido.
O ensinamento fundamental de Abdullah: você não é o corpo, você é a consciência que o habita. Assim, não basta imaginar como uma fantasia, mas sim sentir profundamente no corpo como sendo verdadeiro, de tal forma que a segunda cadeira não depende de um grande esforço e se torna familiar, natural, quase tangível e inevitável.
O exercício levado para a realidade
Neville Goddard morava Nova York, em condições financeiras bastante difíceis, e seus pais moravam em Barbados, uma ilha no Caribe a cerca de 3.400 quilômetros de distância; ele sem dinheiro para comprar as passagens e sem qualquer evidência de que essa situação pudesse se reverter em um curto período de tempo.
Neville então leva essa questão à Abdullah que responde imediatamente: “Você já está em Barbados”, não era uma fala motivacional, era uma determinação, uma instrução, naquele momento a única coisa que deveria ser tratada era a posição de consciência de Goddard; e completa: “Você viajará de primeira classe”. Ele não discute os meios, datas ou valores necessários, apenas estabelece o resultado com um decreto firme.
A partir daquele momento o trabalho de Neville é colocar-se mentalmente na segunda cadeira, agora em Barbados, e não voltar à primeira. Deslocar-se em consciência para lá, diariamente até que ao final não “volte” para a primeira cadeira. Todas as noites, ao se deitar, ao invés de ficar “remoendo” a sua situação difícil, ele se “deita” em Barbados em sua consciência, sentindo o cheiro do mar, a brisa suave e a presença na casa dos pais.
Durante os exercícios ele não se pergunta se é merecedor, como vai encontrar os recursos, de que modo vai realizar a viagem, nada, absolutamente nada, apenas a certeza, o deslocamento de consciência para o lugar mais importante para ele naquele momento de sua vida.
A lição fundamental: a consciência pode ocupar o lugar que você escolher! Após algum tempo, o irmão lhe envia uma carta propondo a viagem para Barbados e lhe envia as passagens para ir de navio. Neville estava exultante e espantado sobremaneira e faz as malas e, quando do embarque alguns dias depois, o oficial informa que houve uma desistência de última hora e que sua passagem poderia ser transferida para a primeira classe sem custos adicionais.
Esse foi apenas o primeiro de muitos episódios extraordinários na vida de Neville Goddard que, mais tarde, tornou-se escritor e palestrante de muito sucesso em sua época. Você pode encontrar uma coletânea de suas palestras no livro “Neville Goddard - A Coleção Completa", o livro de referência com todas as palestras radiofônicas e lições.
Agradeço o contato e convido os leitores a enviarem as suas perguntas...
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