TAOÍSMO O FLUXO DA AÇÃO ATRAVÉS DA NÃO-AÇÃO

 


Pergunta: O Taoísmo fala do Fluxo (Tao) e da ação através da não-ação (Wu Wei). Como podemos aplicar essa filosofia de mínima resistência quando enfrentamos grandes obstáculos?Onde está o limite entre deixar fluir e ser passivo?


    Essa é uma das maiores dúvidas encontrada por todas as pessoas que iniciam o caminho da expansão da consciência, lendo textos de filosofia oriental tentando trazer esses ensinamentos milenares para nossa realidade atual.


    A jornada da expansão de consciência começa e termina dentro de cada um de nós, buscamos a informação, o conhecimento, “fora” e elaboramos “dentro” desenvolvendo e entrando em contato com o nosso Eu Interno, Eu Superior, Cristo Interno, Higher Mind, ou o nome que lhe parecer mais apropriado.


    Um dos muitos caminhos é o Taoísmo que descansa no conceito central conhecido como Wu Wei: “ação através da não ação”. Ao contrário do que pode parecer, não ensina a passividade ou a indiferença diante de problemas de difícil solução, mas sim uma forma de nos harmonizarmos com o fluxo natural, o Tao.


    Trata-se de adotar uma postura diferente, também chamada de “mínima resistência”, que significa usar o tempo e a inteligência a seu favor, lançando mão de espontaneidade e estratégia, se afastando do controle do ego, ou mente.


    Dito assim parece fácil, entretanto pensando em um exemplo prático: diante de uma situação complexa e que demanda resposta urgente qual é a atitude interna que pode proporcionar melhores resultados, uma explosão temperamental com alguns gritos e palavrões ou o controle emocional, literalmente voltando-se para dentro de si mesmo, confiando no fluxo do Tao, algumas respirações para se tranquilizar e, a seguir, com a mente mais calma refletir sobre uma possível solução?


Penso que a segunda postura é de longe muito mais eficiente; me lembra um ditado antigo “o barco só aporta no cais quando o mar está calmo”, ou seja, a solução, inspiração, ideia criativa e até mesmo alguma ajuda objetiva só pode entrar em contato com você quando sua mente está tranquila e pronta para receber.


Assim, podemos refletir juntos sobre como pôr em prática alguns desses conceitos milenares


    Podemos começar pensando em limites: se a sua ação estiver sendo orientada pelo ego, desespero ou raiva ela estará no nível da “resistência” que contraria o Taoísmo; quando a sua ação for precisa e natural estará fluindo pelo caminho da “não resistência”, é o próprio Wu Wei em ação.


    Pensando em atuar com a “mínima resistência”, o aprendiz do Tao age como o rio de águas calmas, desgastando os obstáculos lentamente sem o uso de agressividade ou força bruta, mas sim encontrando soluções pacíficas e criativas.


    Outro ponto importante é o “timing”, momento exato para agir, escolhido quando o problema estiver mais suscetível, assim estará usando toda a energia para trabalhar na menor resistência.


    Na orientação taoísta, quando se é mais direto e autêntico, maior a assertividade sem ansiedade ou agressividade, apenas agindo de modo claro e objetivo sem apegar-se ao resultado final, confiando no fluxo do Tao.


    Por fim, diante de grandes problemas ou obstáculos é preciso admitir que nem tudo está sob nosso controle. Assim, a “não-ação” equivale a liberar o anseio de que os resultados sejam apenas do modo como nós imaginamos e permitir que a solução se desenrole da forma mais tranquila e com o menor esforço.


"Tao - O Livro do Caminho e da Virtude"


Afinal, qual será então a diferença entre “desapego” e “apatia”


    Wu Wei é deixar fluir, trata-se de uma escolha consciente de não iniciar uma batalha contra aquilo que não pode ser imediatamente transformado, deixando o fluxo de sua energia direcionado para o lugar no qual ela realmente é eficaz.


    Um ditado oriental antigo diz que “o sábio não anda, flutua”, desapegado do domínio do ego e agindo no momento preciso, com a maior assertividade, fluindo com o Tao.


    A apatia, ao contrário de tudo isso, é, na verdade, desistir da luta antes mesmo dela começar, se deixando ser arrastado pela situação, perdendo o controle e, por fim, perdendo a largada logo após a corrida começar.


Audio Livro “Wu Wei - A arte de viver o Tao”


    Estudar o Taoísmo é um caminho de luz, sempre que nos dispomos a isso crescemos mais um pouco, nossa consciência se expande e, sobretudo, obtemos a compreensão do quanto ainda nos falta aprender… um caminho infinito… 


    Wu Hsin-Jung foi uma figura proeminente no grupo literário conhecido como Terra Salina e também foi um médico e figura política, nascido na Cidade de Tainan, Taiwan. Por volta de 1930, Wu Hsin-jung começou a publicar novos poemas, descrevendo-se como "um médico de profissão e um amante da literatura por paixão".


    Seus ensinos podem se resumir em três aspectos principais:


  • Primeiro, no plano fenomenal, quando se deixa de resistir ao que é e harmoniza-se com que é, atinge-se um estado de clareza. 

  • Segundo, à medida que a visão clara se aprofunda, surge o entendimento de que ninguém está fazendo nada, e que há somente um, fazendo tudo, através dos muitos e diversos fenômenos que lhe servem como instrumentos. 

  • Terceiro, o aparentemente e separado “eu”, é um mal-entendido criado pela mente, que divide tudo em um sujeito (eu) e um objeto (o mundo fora desse eu).


    Essa aparente dualidade, essa sensação de estar separado e à parte, é a causa básica da infelicidade. Em contemplação a fonte de tudo, ao estado natural que existe anterior a qualquer manifestação, o indivíduo, o “eu”, é finalmente visto como um objeto.


Para Acabar com a Disputa - Respire Agora


Filosofia Advaita - O Caminho Sem Caminho


Livro: Escritos de Wu Hsin


YouTube : Wu Hsin - A Compreensão Absoluta


    Ainda, se estiver interessado em ampliar esses conceitos indo para a literatura ocidental e mais contemporânea, sugiro o livro de Alan Watts, da década de 1950, chamado "Torne-se o que você é!", no original “Become what you are”, publicado muitas vezes até 2021, um clássico baseado no Taoísmo e Zen Budismo, discorrendo sobre a descoberta da natureza interior, nosso verdadeiro self em contraposição às ilusões e cobranças do mundo exterior, buscando harmonizar-se com a vida e a superação do ego.


    Esse autor ficou muito conhecido por estabelecer essa espécie de “ponte” entre a filosofia Ociental e a Oriental, apoiado no Taoísmo e Zen Budismo, buscando a compreensão da “vida como ela é”, transcendendo as exigências auto impostas e encontrando dentro de si mesmo a felicidade.


Alguns pontos interessantes no livro:


    Como viver no presente e compreender que a vida já completa exatamente agora e que a tentativa de tornar-se alguém, imposta pela sociedade, nos impede de viver nossa realização autêntica.


    Seus escritos exploram o desapego ao ego e a libertação dessa suposta segurança imposta por ele (nossa mente) que, no final do dia, só geram ansiedade e, ao contrário disso, a aceitação de quem você já é torna-se o caminho para essa libertação.


    O autor conseguiu traduzir o Tao para o pensamento ocidental, uma proeza para a sua época, demonstrando que ao invés de lutarmos para nos tornar algo “novo” é, na verdade, a aceitação de quem nós somos que retira as camadas de ilusão revelando a natureza profunda do que já somos.


Para encerrar, um mantra do meu favorito Bashar: I AM WHO I AM AND THAT'S ENOUGH!

 Espero ter ajudado você a iniciar esse caminho, se achar interessante e fizer sentido para você!!!


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