O BUDISMO E O DESAPEGO
Pergunta: Pensando sobre o Budismo e o seu ensinamento da impermanência e desapego, como poderíamos vivenciar isso no nosso dia a dia? Como seria possível desapegar de nossas posses e nossos sonhos, sem cair na falta de ambição ou apatia?
Essa talvez seja a conquista mais importante de quem está procurando espiritualizar-se e, eventualmente, escolher o Budismo como um caminho.
A compreensão sobre o desapego diz respeito mais a como nos sentimos em relação às coisas que possuímos - ou tencionamos possuir - do que sobre o bem propriamente dito.
O propósito budista é mudar a forma como nos relacionamos com os bens, onde antes dessa compreensão, poderíamos ser dominados pelas coisas materiais e ambições que tivéssemos.
Aqui muda a postura interna que mantemos quando nos relacionamos com o mundo material ampliado a compreensão de que tudo o que possuímos (ou ainda desejamos possuir) é passageiro e impermanente.
Gosto muito de uma explicação do Bashar (Bashar: YouTube e The Nature of Reality), entidade canalizada há mais de 40 anos por Darryl Anka, na qual ele resume: “Se algo pode ser destruído e precisa de esforço para se manter então não é real ou verdadeiro, ao passo que aquilo que é real e verdadeiro não perece, ou seja, só o nosso espírito é real e verdadeiro.
Portanto, o desapego não leva à apatia, ao contrário, podemos viver intensamente e trabalhar e conquistar aquilo que desejamos, mas sempre tendo em mente que “aquilo” não nos possui.
Somos livres para conquistar tudo aquilo que desejarmos, apenas devemos nos manter desapegados, porque a verdade última da vida é a impermanência e a mudança e, quanto mais estivermos conscientes disso, menos sofreremos com as eventuais perdas que possam nos acometer.
Estas são as premissas do Budismo sobre como aplicar o desapego e não perder a motivação:
1 💫 Perceba a diferença entre apreciação e apego. O desapego no Budismo nos convida a desfrutar das experiência e das coisas sem sermos dominados por elas, ou seja, desejando ardentemente que elas durem para sempre, compreendendo que são passageiras e não são fontes absolutas da sua felicidade;
2 💫 A Impermanência deve ser encarada como um alento e não como uma temeridade, já que o nosso crescimento se dá justamente pela transformação das coisas ao nosso redor e, assim, quando algo não acontece como gostaríamos não sofreremos com tanta intensidade e podermos rapidamente mudar de planos;
3 💫 Tão importante quanto “ter” é também saber “compartilhar” porque ao contrário do apego que nos causa medo de perder algo, o compartilhar nos traz a conexão com as outras pessoas e nos traz mais para a realidade da vida de que somos todos um e podemos juntos desfrutar de uma vida melhor;
4 💫 A melhor parte da viagem é o caminho e não a chegada, ou seja, se desprender do resultado final que está no futuro e dedicar-se ao momento presente em todos os sentidos porque é “aqui e agora” que a vida acontece;
5 💫 Dentro do desapego também é importante não sentir-se preso a uma identidade que seja sua no momento, como por exemplo “eu sou um professor” e mudar para “eu estou professor”, cultivando o espírito de mudança e transformação que podem te proporcionar maior flexibilidade para viver mais tranquilo;
6 💫 Por fim, e não menos importante, desapegar-se das expectativas exageradas que causam angústia e sofrimento, assim como das crenças acerca do mundo, se permitindo renovar e atualizar a sua compreensão não sendo dominado pelas emoções.
Em suma, viver no mundo sem ser prisioneiro dele, viver com leveza na compreensão da impermanência de todas as coisas, sem que isso lhe traga sofrimento.
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