Física Quântica 60 - Superposições Temporais no Experimento de Franson
Superposições Temporais no
Experimento de Franson
por Osvaldo Pessoa Jr.
por Osvaldo Pessoa Jr.
No texto 53, “Dr. Manhattan e as Superposições Temporais” (veja aqui), explicamos que a teoria quântica admite superposições temporais, ou seja, ela descreve estados em que o instante da ocorrência de um evento – por exemplo, um decaimento radioativo – não é bem definido.
Essa situação pode ser modificada quando uma medição é efetuada – no exemplo, quando a partícula emitida no decaimento é detectada – e pode-se então falar em “colapso” do pacote de onda temporalmente superposto.
Mas uma superposição temporal pode se manter mesmo depois de completada a medição, como veremos.
Naquele texto, prometemos descrever o experimento proposto por James D. Franson (1989), da Universidade de Johns Hopkins, em Maryland, EUA, que é uma maneira de confirmar que de fato há estados que são superposições temporais.
Este experimento foi uma das primeiras propostas práticas de “interferência de duas partículas”, situação que conhecemos teoricamente das discussões do paradoxo de EPR e do teorema de Bell.
Antes de considerarmos a emissão de duas partículas correlacionadas, vamos considerar a situação em que um único fóton incide em um interferômetro de Mach-Zehnder, que estudamos no texto 13, “A Escolha Demorada” (veja aqui).
Vemos que quando o componente IC se divide em dois, após S2, o componente IL está ainda bastante atrasado dentro do interferômetro. Os pulsos não se encontram em S2, e assim não ocorre interferência.
O pulso IC tem chances iguais de ser detectado em D1 ou D2, e o mesmo ocorrerá com o componente IL. Assim, a probabilidade de cada detector disparar é ½.
Agora vamos imaginar que haja dois pulsos (I e II) oscilando em perfeita sintonia (ou seja, coerentes), separados a uma distância L – C. Por construção, há apenas um único fóton associado a esses dois pulsos.
Em outras palavras, os dois pulsos são emitidos de um mesmo processo, em tempos diferentes, e assim temos uma superposição temporal de estados (veremos mais adiante como isso é realizado na prática).
Quando as amplitudes IL e IIC interferem em S2, a superposição construtiva ocorre em direção a D1 (e nada ruma para D2). Já nos casos dos pulsos IC e IIL, a probabilidade de incidência em cada detector é igual.
Assim, a probabilidade resultante de a detecção ocorrer em D1 é ¾, e em D2 é ¼.
Este experimento bastaria para verificar que um átomo, que emitisse as duas amplitudes de pulso I e II de maneira coerente, não tem um instante de emissão bem definido.
No caso em que o fóton detectado está associado à chegada de IC ou IIL (em qualquer dos detectores), ocorre um colapso para um instante de emissão bem definido.
Mas no caso em que o pulso detectado em D1 ocorre em um instante consistente com a chegada de IL e IIC (que chegam juntos), o evento de emissão original, do átomo, permanece em uma superposição temporal.
O problema com esse arranjo acima está na preparação de uma superposição do tipo desejado, que tem sido chamado de “dupla fenda temporal”. Como preparar tal dupla fenda temporal?
Isso é confirmado pelo que ocorre do outro lado, após o caminho B. O colapso em D1 provoca um colapso também da partícula em B, e isso instantaneamente, de maneira “não-local”.
Tal resultado foi confirmado experimentalmente, corroborando que a noção quântica de superposição temporal de estados leva a previsões experimentais corretas.
Tal efeito é “não local” porque as ondas colapsadas em ambos os lados (A e B) estão correlacionadas, mas tal colapso só pode ser atribuído após a detecção em um dos braços (a situação é, naturalmente, simétrica, não importando onde ocorre a primeiro medição, se em A ou B).
Pergunta: levando em conta a Fig. 1 deste artigo, pode acontecer de a primeira detecção ocorrer em D2 (ao invés de D1)?
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