Física Quântica 32 - Quatro Aspectos Essenciais da Física Quântica
Quatro Aspectos Essenciais da Física Quântica
por Osvaldo Pessoa Jr.
Após um período fora do país, retorno a esta coluna do Vya Estelar, onde busco apresentar de maneira didática diferentes temas relacionados com a física quântica.
Não sou um adepto da “psicologia quântica”, ou seja, não acredito que a física quântica seja de fato relevante para entender a mente humana e sua interação com o mundo.
Também não tenho uma visão de mundo mística, teísta ou gnóstica, pois não considero que haja inteligência fora do corpo material dos seres vivos (sou portanto “materialista”).
Porém, imagino que as breves explorações que faço da física quântica possam ser de interesse para aqueles que queiram conhecer um pouco mais dessa fascinante teoria, quaisquer que sejam suas posições filosóficas.
É possível dialogar com visões antagônicas às nossas, assimilar parte das ideias expostas, e traduzir outra parte para nossa concepção pessoal.
Para reiniciarmos nossas viagens pelo mundo quântico, gostaria de examinar a seguinte questão: qual é a diferença essencial entre física clássica e quântica?
Ondas de Matéria
Para responder a essa questão, podemos considerar a Física Clássica das Ondas e sua extensão para toda a matéria.
A concepção das ondas materiais, proposta por Louis de Broglie em 1924, é uma profunda ruptura com a física clássica, mas por si só não constitui uma teoria quântica, já que existem muitos sistemas clássicos que se comportam como onda (como as ondas do mar, o som, a luz).
Implícito nesta tese de que a matéria é ondulatória está o “princípio de superposição”: dados dois estados permitidos de um sistema, uma soma destes estados é sempre um estado permitido.
Partindo então desse primeiro ponto, de que tanto a matéria quanto a radiação devem ser descritas como ondas, proponho que apenas três aspectos adicionais precisam ser impostos para obtermos a física quântica (deixando de lado a teoria da relatividade, que introduz outras complicações, como a existência de antimatéria).
Quantização na Medição
O segundo aspecto essencial da teoria quântica pode ser chamado “quantização na medição”. Vimos na primeira lição de física quântica (texto 4) que quando uma frente de onda incide em uma tela detectora, o que aparecem são pontos, que surgem um a um.
Vimos que há uma classe de interpretações da teoria quântica que defendem que o que está ocorrendo neste caso é um repentino “colapso” da onda (ver texto 5), ocasionado pela medição (que sempre envolve um aparelho macroscópico).
Pode-se considerar também que as ondas de matéria são “ondas de probabilidade”, e que a probabilidade de ocorrer uma medição em uma certa posição é dada pelo quadrado da amplitude da onda naquela posição.
Há quem considere o Princípio de Incerteza como um aspecto essencial da teoria quântica.
O mesmo comentário vale para outro efeito bastante curioso da física quântica, o chamado “efeito túnel”, que ainda não tivemos oportunidade de explorar.
Não Localidade Quântica
No caso em que duas partículas interagem e se separam espacialmente, vimos (nos textos Teorema de Bell para crianças e Astrobigobaldo quer informação instantânea que podem ocorrer correlações entre medições simultâneas.
A não localidade quântica só pode ser tratada a partir dos princípios 1 e 2 (definidos acima) se as ondas materiais a serem consideradas forem descritas em um espaço de configuração de 6 dimensões (no caso de duas partículas interagentes).
É a não localidade quântica que é responsável pelo ganho de eficiência da computação quântica sobre a computação clássica.
Estatísticas Quânticas
Há um quarto aspecto dos sistemas quânticos, não contemplados pelos três princípios anteriores, que está relacionado com o valor do “spin” de uma partícula (ver texto 6).
Tais partículas têm comportamento diferente quando um grande número delas estão próximas.
Partículas materiais, como prótons, nêutrons e elétrons, são férmions, ao passo que carregadores de interação, como um fóton de luz, são bósons. Um par de férmions pode adquirir comportamento de bóson.
Exemplos de sistemas que apresentam comportamento estatístico dos bósons são a luz laser e gases ultrafrios, que formam os chamados “condensados de Bose-Einstein”.
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