Física Quântica 20 - Observação de Trajetórias
Observação de Trajetórias
por Osvaldo Pessoa Jr.
No texto “Interpretando o Experimento da Dupla Fenda”, estudamos um experimento em que o objeto quântico (elétron, luz, ou um átomo) tem à sua disposição dois caminhos possíveis, e no final (após a passagem de milhares desses objetos) aparecem franjas de interferência, típicas de ondas.
No texto “O Primeiro Debate Einstein-Bohr”, vemos a tentativa de Einstein de descobrir por qual fenda passa o objeto, e como Bohr argumentou convincentemente que se medirmos a trajetória do objeto, as franjas de interferência desaparecem.
Com isso, formulou seu princípio de complementaridade (ou dualidade onda-partícula): para entendermos um experimento quântico, utilizamos ou um quadro ondulatório (que explica as franjas), ou um quadro corpuscular (no qual se pode dizer por qual caminho a partícula rumou ao longo do experimento), mas nunca ambos ao mesmo tempo (ou seja: se tem franja, não tem trajetória, e vice-versa).
Esta discussão foi retomada, na década de 1960, por Richard Feynman.
Ele examinou o experimento da fenda dupla para elétrons, que tinha sido realizado em 1961 pelo alemão Claus Jönsson. Esquematicamente, podemos representar este experimento da seguinte maneira:
Os elétrons são emitidos por um fio aquecido, e podem passar pela fenda A ou B.
Um detector móvel vai registrando quantos elétrons caem em cada região de uma parede, e ao final obtém-se um gráfico de intensidade (eixo x) versus a posição y na parede.
Esse gráfico mostra que há regiões em que incidem muitos elétrons, e regiões em que não incide nenhum elétron: justamente as “franjas de interferência” mencionadas anteriormente.
Feynman então imaginou que se tentasse medir o caminho escolhido por cada elétron. Para isso, imaginou duas pequenas lanternas (fontes de luz), colocadas atrás do anteparo com as fendas, que emitem fótons de luz.
Numa situação idealizada, se o elétron passasse pela fenda A, ele desviaria um fóton para o detector DA (situação análoga ocorreria se o elétron passasse pela fenda B).
Por que os elétrons mudam de comportamento de uma situação para a outra? É só porque o cientista escolheu observar sua trajetória?
Com a fonte de luz desligada, o elétron passeia bucolicamente como uma onda, sem que nada perturbe seu estado onírico.
Esse exemplo mostra, mais uma vez, que uma “observação” na física quântica não é algo distante, que não perturba o objeto, como se estivéssemos olhando através de um binóculo para um lance de futebol.
Uma última questão deve ser mencionada. No fenômeno ondulatório, com franjas de interferência, não se pode dizer que “o elétron rumou ou por A, ou por B, só que nós não sabemos por onde ele passou”?
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