CARTAS XAMÂNICAS - MORCEGO

 CARTAS XAMÂNICAS - MORCEGO


CARTAS XAMÂNICAS
MORCEGO - RENASCIMENTO


Morcego sagrado... venha a mim
Das trevas da caverna.
Das entranhas da Terra
Traga as respostas certas.
Nascer, morrer, renascer
São ciclos de uma mesma vida...
Um eterno recomeço,
A jornada da alma

 

    Para as culturas Asteca, Maia, Tolteca e Toluca, o Morcego é o símbolo do renascimento, pois assim como os budistas acreditam na reencarnação, os índios da América Central também creem que estamos sempre renascendo.

 

    O Morcego sintetiza o conceito da morte xamanística, o ritual no qual o xamã sofre uma morte simbólica que o transporta para uma dimensão superior do conhecimento, na qual ele aprende os segredos dos rituais de cura.

 

    Esta morte simbólica assinala o rompimento do xamã com sua antiga personalidade profana, constituindo uma etapa obrigatória anterior à iniciação propriamente dita, que irá lhe conceder o direito de curar e de ser chamado de xamã.

 

    A maioria desses rituais é bastante violenta, tanto para o corpo quanto para a mente e o espírito, de forma a descartar os candidatos sem condições reais de se tomarem xamãs. Aliás, pelos padrões atuais, dificilmente seria possível encontrar alguém disposto a sofrer as duras provas do ritual de iniciação e sair dele com o juízo perfeito.

 

    A ideia básica dos antigos processos iniciáticos era a de destruir o conceito do eu – a personalidade mundana – do candidato a xamã. Isto implicava brutais testes de força e de resistência física, de capacidade psíquica e de equilíbrio emocional.

 

    Os candidatos eram duramente insultados e molestados, sendo comum receberem cusparadas e sofrerem outros abusos semelhantes para que rompessem a identificação com o ego que deveriam abandonar a fim de se tornarem xamãs.

 

    A etapa final da iniciação implicava ser enterrado vivo durante um dia inteiro, após o que o candidato deveria renascer sem seu antigo ego na manhã seguinte. Esse ritual se assemelha muito com a noite do medo praticada pelos índios da ilha da Tartaruga.

CARTAS XAMÂNICAS - MORCEGO

 

    Nele, o candidato a xamã era enviado para algum local ermo, onde deveria cavar sua própria sepultura, dentro da qual deveria passar toda a noite no ventre da Mãe Terra totalmente só, com a cova protegida apenas por um cobertor.

 

    A escuridão total e os ruídos provocados pelos animais caçando rapidamente confrontavam o iniciado com seus próprios medos.

Assim como a escuridão da tumba tem sua razão de ser neste ritual, também a caverna do Morcego tem um significado profundo.

 

    Pendurar-se de cabeça para baixo é uma metáfora para a eliminação de seu antigo ego, propiciadora do renascimento como um novo ser, evocando a posição adotada pelos bebês no momento de deixarem a proteção do ventre materno, emergindo para uma nova vida no mundo exterior.

 

    Se o Morcego apareceu em seu jogo, isto indica a necessidade de algum tipo de morte ritualística, envolvendo o abandono de um padrão de comportamento que não corresponde mais ao seu nível de evolução espiritual. 


    Isto pode implicar abandono de velhos hábitos comportamentais e assumir novas responsabilidades ou uma nova função na vida, que o preparam para um renascimento ou, em casos mais raros, até mesmo para um processo iniciático.

 

    Seja como for, o Morcego sempre assinala a morte de uma parcela de seu ser e o renascimento de outras partes de si mesmo. Se você resistir a esse processo, esta poderá ser uma longa, lenta e dolorosa morte, mas, se não oferecer resistência ao seu próprio destino, o processo poderá ser menos penoso.

 

    O Universo está sempre lhe pedindo para crescer e assumir seu futuro, mas para ser capaz de fazê-lo é preciso que você enfrente a morte xamanística.



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