Hoje eu vou falar para vocês sobre um erro muito grande que cometemos, que é achar que a nossa vontade tem que fazer tudo sozinha. Vocês se esquecem que essa vontade que têm na cabeça, de querer e fazer as coisas, é apenas uma pequena parte de uma GRANDE VONTADE.
E se a gente não somar e não renunciar às vontades pequenas, as coisas não acontecem e nada vai para frente. Na verdade, ainda achamos que temos que fazer tudo. E essa é a grande questão:
“O homem acha que ou faz tudo sozinho
ou deixa tudo na mão de Deus.”
- Mas não é assim, não. Nem você sozinho, nem Deus sozinho.
É a união, é na comunhão, é na entrega e na fusão que as coisas acontecem. E isso tem que ser em tudo na vida, em todos os dias.
Porque, quando se está inspirado, tudo vem lá do infinito, do universo. Quando a gente está sentindo que é único no universo, todas as coisas começam a andar. Mas para as coisas andarem é preciso ter muita renúncia.
“É engraçado, né? Mas acreditem: a gente quer ir pra frente, mas tem que renunciar. Isso é esquisito! Mas funciona assim, minha gente.”
Eu estou falando de como fazer as coisas funcionarem, de como fazer as coisas andarem: “É entregando para o infinito.”
Sem ficar preso no futuro, preso na espera da realização de sonhos, nos planos feitos, nas coisas que achamos que têm que ser, que têm que acontecer. Mas não é por aí, não!
Porque o universo pode estar pronto para te dar uma outra coisa e você então está criando um problema, uma confusão na sua vida.
Muitas e muitas vezes ficamos pensando que as coisas são “assim e assado”. Mas em matéria de destino, de movimentação da vida, a nossa consciência, o nosso jeito de pensar é muito pequeno.
Agora, quando eu falo para vocês: “Coloquem tudo na mão do universo, não resolvam nada, não procurem a solução, não procurem fazer, não se preocupem em conduzir, em fazer e acontecer”, eu não estou dizendo para vocês se abandonarem e se tornarem vagabundos, largar tudo e ficar em casa sentados. Não é isso, não!
“Não anule sua vontade, não!”
Porque as pessoas são muito assim: ou fazem tudo ou ficam na vagabundagem. Mas tem uma terceira opção, fora do drama mental, fora do drama do Eu pessoal.
E eu estou convidando vocês a me darem as mãos numa corrente e sair do drama da vida. E seja qual for o drama, o problema não resolvido, a doença não curada, a situação infernal em volta de vocês. Ou dentro de vocês.
Seja qual for a ansiedade com o futuro, a aflição, o corre-corre. Não importa onde estejam ou como estejam. Neste instante estou fazendo um convite diferente, para vocês largarem as mãos de tudo, dizendo:
“Eu vou parar com o meu drama”
“Eu não quero ter esses sentimentos”
“Eu não quero ter aflições”
“Eu não quero ter ansiedades”
“Eu quero sair dessa espera, quero esquecer estas cobranças a mim mesmo”
“Eu não tenho que fazer, eu não tenho que ser, eu não tenho que acontecer”
“Eu não quero...”
“Eu quero paz e serenidade”
E tudo isso com o coração querendo! Porque se você ficar aí falando e repetindo só automaticamente, sem ação, nada vai acontecer, você não vai ter paz.
- Mas, Calunga, como é que eu vou ter paz, com tudo que está me acontecendo, com tudo que eu tenho para resolver? Que eu tenho que ... que eu tenho que... ? Pois isso tudo é a sua vontade. Você está só, fora do real, perdido no drama, criando aflições e ansiedades. E, pior, achando que vai a algum lugar sozinho.
“Ninguém resolve problema algum.”
São outras forças que agem na nossa vida e é de outro jeito que as coisas vão tomar o rumo, o caminho certo. O universo é infinito em criar respostas, em criar situações novas.
Não há limite para essas forças. Agora, quem está no pequeno, preso em dramas, em doenças, em irritações, em problemas emocionais, nos temores com o que vai acontecer, que aceite o meu convite.
O meu convite é para sair do drama. É para ter a coragem de não deixar que essas forças que agem na sua mente te dominem. Pois elas atrapalham o fluxo do desvendar dos caminhos.
Esse fluxo, com boa vontade, pode ser ativado. Mas não tenha a ilusão que ativando sozinho, isolado, apenas com a sua vontade, as coisas vão ser resolvidas.
Não pense que a sua vontade é a responsável, é a consciência de si mesmo. Que é só pensar em você e por você, achando que conseguirá, que fará. Assim, vai acabar fracassando.
Na verdade, essa atitude do Eu sozinho mais a ilusória força da sua vontade acabam atrapalhando tudo, uma vez que você não está entendendo nada da vida.
Você tem medo de largar a sua vontade, pois pensa que sem ela tudo vai abaixo, tudo está perdido. Você tem medo de cair doente, de ser atacado por desânimo, por depressão, por derrota.
Mas mesmo insistindo em manter sua vontade atuando, a derrota continua e você continua sozinho. Então já está dando para entender que não é de um lado nem do outro. É uma outra coisa.
É vir para este outro lado, onde se abandona o drama. Abandone tudo na sua mente e comungue esta atitude: “Eu e o universo somos um só EU, e a infinita força se funde comigo. Não tem mais Eu, não tem mais nada, tem apenas a imensidão.”
E mentalize:
Abra as tuas costas como se a imensidão entrasse por ela. Calmamente, deixe essa imensidão penetrar em você e na consciência de que o seu Eu e o infinito são um só.
Sinta essa grandeza. Deixe-a eliminar a sua dor. Deixe-a afastar a opressão mental, emocional. Venha, firmemente, somar com o universo e crie o alívio preciso. E diga:
“Eu não vou arrumar nada, eu não vou resolver nada.
Eu não vou tomar nenhuma medida, nenhuma atitude.
Eu vou colocar tudo no universo,
Universo, toma este problema, só você pode resolver,
só você pode fazer alguma coisa, dentro e fora de mim,
Eu quero estar junto a ti, integrado a ti,
Eu quero ser impessoal, eu não quero possuir,
Eu não quero ter esperança de nada... nada esperar,
Eu não sofro mais ansiedade, pagando um preço caro.
Eu não vou mais estragar os meus dias, o meu prazer de viver,
Eu não quero mais ir a lugar nenhum,
Chega de dirigir as coisas,
Chega de ter uma vontade minha,
Eu quero ficar na tua essência... maior, muito maior,
Eu quero ficar na vontade do universo,
quero me sentir um ser universal,
Eu quero ser espírito,
Só um espírito, pelo infinito.”
Com isto, vá sentindo uma amplidão do espírito pleno e infinito. Sem precisar definir o que é o Eu, o que não é o Eu. O que é meu e o que não é meu. O que devo e o que não devo. Sem definições, apenas a consagração deste instante, desta comunhão. Porque é no infinito que as peças se integram.
É no infinito que a vida toma rumo e sentido superior, gratificante. É nesse reencontro interior que se transformam todos os quadros da nossa vida. É nesse momento que a nossa mente abandona a maneira fria e esquisita de ser dos homens, para penetrar na profundidade da consciência universal.
E vocês vão perceber, com os olhos claros, uma verdade límpida, maravilhosa. Mas não espere antecipadamente a maravilha. Não espere nada. Entregue-se apenas. Sinta-se pertencente ao universo, deixe o universo assumir as rédeas de todas as coisas da sua vida.
Sinta-se seguro. Sinta-se resolvido, fora do drama. Acomodado, silencioso. Estas atitudes farão brotar dentro de você o tudo que vem do infinito, a vontade verdadeira, a ação. Mas uma vontade diferente.
Você vai perceber que é outra coisa, fora do pensamento, dentro da consciência. Um sentimento que move o mundo dentro e fora de você. A entrega da vontade que você permitiu é a constatação de que não existem duas vontades – a sua e a da vida – mas sim apenas uma, fundida.
Você vai perceber que não perdeu nenhuma vontade de fazer as coisas, mas apenas que elas mudaram, tornaram-se diferentes, com atuações diferentes. E você tornou-se diferente, assim como todas as coisas que te rodeiam também tornaram-se diferentes. E tudo vai fluir melhor.
“Eu e o infinito somos apenas um!”
E para essa unicidade se tornar realidade, entregue a sua vontade a essa sabedoria. Entregue suas obrigações, suas responsabilidades. Deixe de ter esperança. Viva doravante na consciência deste presente, sabendo que a eternidade é esperança.
Tenha a certeza de que essas forças, a partir deste instante, trabalharão e conspirarão em seu favor, transformando o seu interior, o seu subconsciente, a sua mente. Transformando a sua visão das coisas, transformando as condições de vida que você não consegue alterar apenas com a sua vontade.
Transformações que abrirão oportunidades na sua vida, abrirão caminhos, dando lições e enriquecendo a sua vivência, cuidando com perfeição de todos os seus momentos. E você se surpreenderá quando descobrir que as coisas não ocorrerão como você anteriormente queria e sonhava, mas que acontecerão definitivamente melhores.
Haverá surpresa, porque você verá que o mundo não é o que você pensava, mas sim imensamente melhor. Mergulhe nessa fusão, você e o universo, sendo um só. Sinta o vapor do universo varrendo você por dentro, sinta esse calor passando pelas suas costas, abrindo o seu peito.
“Meu Deus, eu aqui vendo essa coisa
imensa te invadindo, sabendo que
você já se tornou essa imensidão
aberta, escancarada.”
Grite agora:
“Eu sou essa entrega absurda e
eu deixo fluir neste instante a certeza
infinita de que essa sabedoria imensa faz
presença e me transforma, me conduz.
Portanto a minha vontade está entregue
a outra vontade que soma com ela
e trabalha unida, sendo uma só.”
A união com a imensidão é o abandono do crime, da dor, do sofrimento, do drama que a sua cabeça criou. É a remissão da vida, até então voltada às coisas que vocês viam com os olhos da carne, mas que cegava os olhos do coração.
É o momento de dar um grande passo, de conseguir uma grande solução. De entregar-se para a união, como que volta ao berço e descansa o sono das lutas terminadas. O sono das competições acabadas, das dúvidas resolvidas.
É a hora de compreender que uma coisa imensa se faz presente no momento adequado, no tempo preciso. De emendar o seu tempo mental ao tempo mental do infinito, criando um só tempo.
“O tempo da vida eterna, da vida imensa.”
Tempo de sentir como é bom ser imensidão, não ser nada, não ser ninguém. Ser apenas uma sensação, libertado do pequeno e aliado com a grandeza, vendo o mundo fluindo na sua loucura.
Essa transformação a que eu os convidei a participar fez vocês perceberem agora que não foi preciso abandonar suas vidas, suas tarefas, seus trabalhos, seus amigos, enfim, a sociedade como ela é.
Vocês continuam fazendo parte de tudo isso, mas estão diferentes. Vocês e o mundo que os cerca estão diferentes. Tudo se transformou e vocês não têm mais medo. Ao contrário, agradecem essa diferença que os faz mais felizes. E para que vocês não esqueçam essa transformação, vamos louvar este seu novo mundo:
“Eu e o infinito somos um. Tudo se move pela lei do oculto infinito em mim. No reino, no nascimento das coisas e das formas. Na magia do escondido, mas real. Na sorte, nas correntes de transformação e criação da vida, eu repouso minha vontade assumida, deixando que tudo se transforme.
E o vento da renovação me traz a brisa da segurança, confirmando que tudo está caminhando no bem. Na certeza de que todo o bem está em mim, se reformulando e se transformando. Eu e o infinito somos um somente. Sou apenas espírito na imensidão, assistindo ao drama da vida, apenas participando sem drama.
Sentindo no peito as verdadeiras medidas, acompanhando o discurso silencioso da vida que conversa comigo, a cada medida. Por isso eu não sou mais pessoa. Eu não sou mais pessoal, eu não tenho mias Eu, eu não tenho sentimentalismos, eu não tenho desejos. Apenas contemplo. E a minha contemplação é ação. Faço todas as coisas, mas sempre estou aqui na imensidão.
Sempre estou no infinito. O drama das pessoas do mundo, perdidas e separadas, não mais me afeta. O medo, o desespero, a aflição, todos os pesares antigos passaram. Eu caminho com naturalidade... fluo com naturalidade. Eu trabalho sem pensamentos, sem emocionalidades.
Mas dentro de mim sai aquela alegria, aquela ternura... um amor diferente e um gesto e calor diferentes. Há um entendimento imenso Estou aqui, vivendo a vida, como qualquer um... num corpo que parece igual a qualquer um... Mas eu, eu infinito, não cesso de fluir, a um ponto onde as pessoas ainda não estão.
Num ponto eterno, em outro caminho, com um outro jeito de estar em si. Sou espectador e espetáculo. Sou capaz de nada fazer e tudo acontecer, tudo ser feito.” É assim que somos na entrega, minha gente. Tornamo-nos impessoais, capazes de não ter Eu, orgulho e ego, apenas vivência, emancipação, desenvolvimento, crescimento e progresso.
Luiz Gasparetto - Eu Comigo
Amar as minhas limitações, como
amo as minhas possibilidades
Amar o que eu sou, todo indivisível\que constitui o ser e o acontecer do meu corpo, no espaço e no tempo … Amar as coisas que eu estou fazendo e o modo como eu as faço
E nos meus acertos e erros, amar o projeto que vai se transformando em obra no trabalho da construção de mim mesmo. Amar-me como eu estou aqui e agora, vivendo a vida simplesmente, naturalmente, com o ar que eu respiro, o chão que eu piso, as estrelas que eu sonho …
As vezes gostar de mim é um desafio, uma prova de fogo que revela se eu realmente me amo, ou apenas finjo amar-me … Gostar de mim na perda, quando a vida me fecha uma porta, sem nenhum aviso ou explicação …
Gostar de mim quando erro, quando fracasso, quando não dou conta quando não faço bem feito e ainda encontro quem me critique ou zombe de mim por eu ter sido apenas o que sou:
limitado, vulnerável, imperfeito, humano. Gostar de mim no fundo do poço, cabeça a mil, coração a zero, e ainda assim ser capaz de ouvir e respeitar as referências do meu próprio corpo como um amigo fiel, atento e carinhoso … Eu me relaciono com as outras pessoas do mesmo modo como eu me relaciono comigo …
Se eu me amo, não sei te odiar … Se eu me odeio, não sei te amar … Se eu me desprezo, não sei te respeitar … Se eu me respeito, não sei te desprezar … Como eu te aceito, se eu me rejeito? Como eu te rejeitar, se eu me aceito? Celebro no amor a mim mesmo o nascimento do amor pelo meu próximo!
“Sou Marlene, criadora do blog Eu Sou Marlene. Compartilho reflexões sobre espiritualidade aplicada ao cotidiano, autoconhecimento e transformação pessoal. Sinta-se à vontade para entrar em contato."
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