A RAIVA E A TRISTEZA

 A RAIVA E A TRISTEZA

A RAIVA E A TRISTEZA

    A raiva e a tristeza são a mesma coisa. A tristeza é raiva passiva e a raiva é tristeza ativa. É difícil para uma pessoa triste ficar irritada. Se você conseguir se irritar em vez de ficar triste, sua tristeza desaparecerá imediatamente. 

Da mesma forma, é muito difícil
uma pessoa irritada ficar triste.
A tristeza é um antídoto para a raiva..

    Em todas as nossas emoções permanece uma polaridade básica - homem e mulher, yin e yang, macho e fêmea. A raiva é um sentimento masculino e a tristeza, um sentimento feminino. 

    Assim, se você estiver em harmonia com a tristeza, será difícil deslocar-se em direção à raiva, mas eu gostaria que você tentasse. Coloque-a para fora, deixe-a agir. Faça o que for necessário, mas coloque a raiva para fora!

    Se você puder oscilar entre a raiva e a tristeza, conseguirá uma transcendência sobre elas e poderá, então, observar os jogos e escaramuças desses dois sentimentos e ir além de ambos. 

    Mas, primeiro, você precisa se mover com facilidade nesse cenário. Caso contrário, a tendência é que você se entristeça - e isso dificulta a transcendência.

    Lembre-se de que quando duas energias opostas são semelhantes - uma é o espelho da outra - é muito fácil se livrar delas. Na medida em que a tristeza e a raiva lutam entre si, acabam se anulando mutuamente, o que o deixa livre para sair desse círculo vicioso. 

    Mas se houver 70% de tristeza e 30% de raiva, as coisas se tornam muito difíceis porque isso significa que restarão 40% de tristeza e, nesse caso, você não poderá sair da situação com facilidade. Esses 40% ficarão dentro de você.

    Essa é uma das leis básicas sobre as energias interiores: deixe as polaridades opostas entrarem em equilíbrio para que você possa escapar despercebido. É como se as pessoas estivessem tão entretidas umas com as outras que nem percebem que você escapuliu.
A RAIVA E A TRISTEZA

    O importante é transformar isso em um exercício diário - não espere que a raiva e a tristeza apareçam. 

    Fique irritado diariamente: pule, movimente-se, grite e coloque suas emoções para fora. 

    Ao conseguir expressar a raiva pela raiva, aparentemente sem motivos, você ficará muito feliz, pois se sentirá livre. Do contrário, mesmo a raiva é controlada pelas situações, não por você. Se não puder fazê-la surgir, como a deixará partir?

    No começo pode parecer um pouco estranho, porque você sempre acreditou na teoria de que a raiva é o resultado de um insulto ou da ação de outra pessoa. Isso não é verdade. A raiva sempre esteve lá, esperando por uma "desculpa” para vir à tona.

    Por isso, encontre uma desculpa para si mesmo: imagine uma situação que o deixaria louco de raiva. Fale com a parede, xingue, grite, perca a cabeça - a parede logo estará rebatendo cada xingamento. 

    Você tem que trazer a raiva e a tristeza para o mesmo patamar, de maneira que elas se anulem mutuamente. Só então você se sentirá livre.

    O filósofo armênio Georges Gurdjieff 
(1866–1949) costumava dizer que esse era o caminho do homem "esperto"- colocar as energias internas em tamanho conflito que elas lutem entre si e se anulem, de forma que você possa escapar.

    Gurdjieff,  foi um filósofo e místico armênio que afirmava que o ser humano comum vive constantemente em um estado de "sono desperto", agindo de forma mecânica, apenas reagindo ao ambiente sem ter consciência real de si mesmo.

    Ele ficou conhecido por criar o conceito do "Quarto Caminho" com o objetivo de despertar os seres humanos, o qual seria mais consistente do que os três primeiros: 

  1. Faquir - o caminho do domínio do corpo físico, através de posturas especiais e sacrifícios extremos;
  2. Monge - nesse a pessoa estaria focada nas emoções e fé religiosa;
  3. Iogue - no qual, através de dedicação, haveria o desenvolvimento do intelecto, da mente e do conhecimento.

    No pensamento de Gurdjieff, tais métodos além de exigirem sofrimento e isolamento, estariam incompletos pois para segui-los a pessoa deveria se isolar da sociedade.

    Ao contrário, quem fosse mais astuto porderia trilhar o "Caminho do Homem Esperto", por isso mais tarde ficou conhecido como "O Quarto Caminho", no qual ao invés de se isolar do mundo, a pessoa usaria a própria vida cotidiana como um laboratório.

    Tal método apoia-se em observar as próprias identificações mecânicas, conflitos internos e contradições humanas, fazendo com que esses "eus" lutassem entre si e se anulassem mutuamente, permitindo que uma consciência verdadeira, uma espécie de "Eu Superior" pudesse despertar.

    Para entender os ensinamentos diretamente através de seus discípulos, procure os livros escritos por P. D. Ouspensky (como Em Busca do Milagroso) e os escritos do próprio Gurdjieff (como All and Everything ou Encontros com Homens Notáveis).

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